
Toda equipe de manutenção conhece a cena: a polia precisa sair do eixo, mas não sai. Chaveta engripada, furo ovalizado, cubo travado pela oxidação. A desmontagem vira saca-polia, maçarico e, no fim, um eixo marcado que precisa ir para a usinagem. A bucha cônica QD existe para acabar com esse ciclo.
O que é a bucha cônica QD
QD vem de Quick Detachable — destacável rapidamente. É uma bucha bipartida, com flange e superfície externa cônica, que fica entre o eixo e o cubo da polia (ou da engrenagem, ou da roda dentada). O furo da bucha é usinado na medida do eixo, com rasgo de chaveta; o cubo da polia recebe o cone.
Ao apertar os parafusos de montagem, o cone da bucha é puxado para dentro do cubo. Como a bucha é partida, ela fecha sobre o eixo à medida que entra, gerando um aperto uniforme em toda a volta. O resultado é uma fixação por interferência, sem depender só da chaveta para transmitir o torque.
Os problemas que ela resolve
Folga radial e vibração
No furo com chaveta, sempre existe uma folga mínima entre eixo e cubo. Em transmissões de alta potência ou com cargas alternadas, essa folga cresce com o uso: o cubo "bate" no eixo, a chaveta trabalha em cisalhamento e a vibração aumenta. Com a bucha QD, o aperto periférico elimina essa folga desde a montagem.
Usinagem de eixo e de cubo
Quando o furo da polia ovaliza, a correção normal é embuchar ou trocar a peça — e muitas vezes recuperar o eixo. Com a bucha QD, o desgaste fica concentrado numa peça barata e substituível. A polia não precisa ser usinada para cada diâmetro de eixo: basta trocar a bucha.
Tempo de parada
A desmontagem é feita pelos próprios parafusos: eles são retirados das posições de aperto e roscados nos furos de extração, empurrando o cubo para fora do cone. Sem saca-polia, sem calor, sem marcar o eixo. Em linhas com janelas de manutenção curtas, essa é a maior vantagem.
Os tamanhos: SD, SK, SF, E, F, J, M, N e P
Os tamanhos da bucha QD são identificados por letras. Cada letra corresponde a um cone padronizado e a uma faixa de furos possíveis: os menores, como SD e SK, atendem eixos de máquinas leves e médias; os intermediários, como SF, E e F, são comuns em ventiladores, bombas e transportadores; os maiores, como J, M, N e P, aparecem em britadores, moinhos e acionamentos pesados.
Na especificação, três dados definem a bucha:
O tamanho (letra), que precisa ser o mesmo do cubo da polia;
O furo, na medida do eixo (em polegadas ou milímetros);
O rasgo de chaveta, compatível com a chaveta do eixo.
O furo máximo de cada tamanho e o torque admissível constam do catálogo do fabricante. Na dúvida entre dois tamanhos, prevalece o que suporta o torque da aplicação com folga, não o que cabe no espaço.
Montagem correta, passo a passo
Limpe o eixo, o furo e o cone da bucha e o cone do cubo. Não use óleo, graxa ou antiengripante nas superfícies cônicas: o lubrificante muda o atrito e faz o aperto real passar do previsto, podendo trincar o cubo.
Coloque a chaveta no eixo e posicione a bucha, com o flange voltado para o lado indicado na montagem.
Encaixe a polia no cone e alinhe os furos de aperto.
Aperte os parafusos de forma alternada e progressiva, em várias passadas, até o torque indicado pelo fabricante.
Confira o alinhamento da polia com a polia oposta antes de tensionar a correia.
O flange não deve encostar no cubo: a folga entre os dois é sinal de que o cone está fazendo o aperto. Se o flange encostou, a bucha ou o cubo estão fora de medida.
Erros comuns
Lubrificar as superfícies cônicas;
Apertar um parafuso de cada vez até o fim, em vez de alternar;
Usar parafusos de classe inferior à especificada;
Misturar bucha de um tamanho com cubo de outro;
Reaproveitar bucha com o furo marcado ou com o cone danificado.
A Fundição Giros fornece a bucha cônica QD nos tamanhos SD, SK, SF, E, F, J, M, N e P. Também desenvolvemos polias sob medida com ou sem bucha cônica. Solicite um orçamento técnico.
